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Cerimônia em homenagem a Òrìsà Yewá, Ìyá Sèkè e comemoração dos 110 anos do Òrìsà Yewa no Brasil

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Cerimônia em homenagem a Òrìsà Yewá, Ìyá Sèkè e comemoração dos 110 anos do Òrìsà Yewa no Brasil


Maria das Mercês, nascida em 18 de setembro de 1883, foi iniciada no candomblé- Casa de Òsùmàrè, pelo Bàbálòrìsà Antonio de Òsùmàrè, em junho de 1905, recebendo o Orùkó-nome Yewa abìyámo, passando se conhecida carinhosamente por Cotinha de Yewa. Antes dela dela não havia registros da iniciação deste orixá no Brasil.
Após o falecimento do Bàbálòrìsà Antônio de Òsùmàrè, Cotinha de Yèwá assume a direção da Casa de Òsùmàrè. Mãe Cotinha foi a primeira mulher a ascender à posição máxima do Terreiro. Mãe Cotinha era uma pessoa tímida sobremaneira, razão pela qual, muitas das decisões da Casa eram tomadas pela própria divindade, Yèwá.
Contudo, sua timidez não interferiu na profecia envolta do seu Orùkó Abìyámo, Mãe de muitos: iniciou um grande número de filhos e filhas de santo como: Ìyá Simplícia de Ògún, Oba Lade, sua enteada, Mãe Theodora de Iyèmójá, Mãe Tomazinha de Òsun, Nair de Òsàlà, Antonieta de Ògún, Maria de Òsóòsì, Menininha de Ayra, Minervina de Oya, Mãe Margarida de Ògún, Mãe Miudinha de Òsun e Pai Bobó de Oya, importantes personagens que contribuíram para a preservação e difusão do Àse. Muitas de suas filhas e filhos de santo fundaram Casas de candomblé na Bahia e em outros estados do Brasil.
Jacinto Manoel Gomes (seu Jacinto), foi o companheiro de Mãe Cotinha, um destinto senhor, Ogá da Casa Branca do Engenho Velho, muito conhecido e respeitado pelas Casas de candomblé da Bahia. Fruto deste relacionamento, em 1929 nasce Arcênio José Gomes, que se tornaria aclamado e venerado Ogá da Casa de Òsùmàrè.
Yèwá constituiu um corpo de Ogá, delegando a eles o cuidado de proteger a Casa de Òsùmàrè e seus filhos e filhas de santo, os quais, a partir daquele momento, se tornaram também filhos destes ilustres homens escolhidos por Yèwá. Pai Urbano, Pai Claudionor (Cadú), Pai Poceidonio, Pai Manoel Alabe, Pai Paizinho, Pai Januário, Pai Vavá e Pai Hilário Bispo dos Santos (mestre Hilário), irmão de criação de Mãe Cotinha. Eles gozavam do respeito da comunidade em torno do Terreiro e também eram politicamente influentes. Tornaram-se verdadeiros guardiões da Casa de Òsùmàrè e, até hoje, são lembrados como exemplo de Ogá.
Na gestão de Mãe Cotinha, o poder e a altivez do Òrìsà Yèwá foram imprescindíveis para acabar com as perseguições praticadas pelas autoridades e pela imprensa da época. Este mérito lhe foi atribuído devido a sua atuação durante as batidas policias que aconteciam na Casa de Òsùmàrè, como o episódio ocorrido em janeiro 1928, ano em que, assumiu o posto de Ìyálòrìsà. Em meio a sua primeira cerimônia pública, ocasião em que estava sendo comemorada uma festa em louvor a Ògún, e, inesperadamente, os filhos e filhas de santos foram surpreendidos pela presença de Yèwá que havia se manifestado em Mãe Cotinha e se dirigido até a entrada do salão, permanecendo parada ao lado da porta no interior do barracão. Pouco tempo depois, apareceram três policiais, e, no momento que iam adentrado o terreiro, Yèwá impediu-lhes a passagem, e os advertiu que não iriam entrar ali. Eles desobedeceram a ordem dada pelo Òrìsà e deram o segundo passo. E, aos olhos de dezenas de pessoas, ficaram estáticos paralisados por alguns minutos. Yèwá ordenou que voltassem a tocar os atabaques e foi dançar. Antes de terminar a cantiga que estava sendo entoada, os policias conseguiram se movimentar, pegaram seus cavalos e saíram correndo.
Inicia-se uma nova era para a Casa de Òsùmàrè, que passa a ser protegida pela própria divindade Yèwá. Outro episódio, narrado pelos mais antigos, atesta a força de Yèwá na defesa da Casa de Òsùmàrè: um grupo de policiais tinha como objetivo invadir a casa e prender os praticantes do culto, oportunidade na qual foram surpreendidos. Yèwá, ao pressentir que a casa estava sendo perseguida, mandou organizar um grande banquete, regado a vinho e aguardente. Quando os policiais entraram na Casa, receberam o convite da própria Yèwá, que já os aguardava em frente à mesa. Diante da melhor comida e bebida, os policiais prontamente aceitaram o convite e, ao fim da refeição, não tinham condições sequer de montar seus cavalos e adormeceram. Ao acordar, a vergonha foi tamanha, que nunca mais ousaram invadir a Casa de Òsùmàrè.
Yèwá consegue trégua das perseguições que faziam parte do cotidiano da Casa de Òsùmàrè, mas agora teria que intervir a favor da Ìyálòrìsà Cotinha, na luta para assegurar a propriedade do terreiro. Desta vez, em face da ameaça do sobrinho do Bàbálòrìsà Antônio de Òsùmàrè, que reivindicava a condição de herdeiro legal do terreno.
Cinco anos após a morte de Antônio de Òsùmàrè, em 2 de outubro de 1931, José Alves dos Santos, afirmando ser seu sobrinho, requereu a abertura do inventário. Declarou ser filho de Maria do Carmo Conceição, irmã mais velha de Antônio de Òsùmàrè, falecida em 1906, aos 30 anos de idade, vítima de impaludismo. No requerimento, apresentou comprovantes de parentesco que lhe permitiria reivindicar a condição de herdeiro.
Mas o sobrinho de seu Antônio não sabia que a Casa, na verdade, pertencia aos Òrìsà, e somente eles poderiam decidir sobre o destino sucessório do terreiro, que não esta ligado a laços sanguíneos, mas, sim, por elos espirituais. De imediato, houve intervenção dos Òrìsà. Jose Alves dos Santos não gozou dos direitos reclamados. Foi acometido por uma grave doença se vendo obrigado a buscar ajuda na Casa de Òsùmàrè e pedir perdão aos Òrìsà. Após ter recuperado sua saúde, seguiu seu destino não incomodando mais Mãe Cotinha de Yèwá.
Foi também na sua gestão que o Terreiro do Gantois, enviava através de um simbólico cortejo, a boneca sagrada de Ìyá Sèkè, para serem feitas as obrigações religiosas na Casa de Òsùmàrè . Após permanecer na Casa por sete dias a boneca retornava ao terreiro do Gantois, com uma nova roupa que era cuidadosamente confeccionada.
O retorno de Ìyá Sèkè ao terreiro de origem também seguia em um singelo cortejo, com uma cabra enfeitada com lindos laçarotes para presentear Òsún. Após o falecimento de Mãe cotinha de Yewa em 1948, infelizmente não mais foi realizada esta linda obrigação.
Data: domingo, 09 de agosto de 2015
Cerimônia pública às 12h
Local: Casa de Òsùmàrè
Avenida Vasco da Gama N°343, acesso pelas escadarias – Pt de Referência – Em frente a Perini.
Segunda Travessa Pedro Gama N° 65, Federação - acesso por meio de veículos – Pt de Referência – Ladeira da Transamérica
tel:(71) 3237-2859



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Map Casa de Oxumarê, Av. Vasco da Gama, nº 343 Vasco da Gama , Salvador, Brazil
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Casa de Oxumarê
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