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Andreia Santos

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Andreia Santos


Abertura da exposição "Andreia Santos"

Em sua primeira individual a artista curitibana Andreia Santos generosamente nos revela o resultado de sua pesquisa dentro do universo da arte contemporânea local e ao mesmo tempo universal.

A artista apresenta sua produção recente em pinturas e guaches.

Com texto do artista Tony Camargo, a exposição deve ser observada com calma, desvendando assim as inúmeras camadas estabelecidas por Andréia.

Fica aqui o convite da Boiler para que você venha conferir.

Apoie a arte local.


Texto crítico de Tony Camargo

Ver: fenômeno físico em tudo simples, talvez por isso extra ordinário como meio para compreensão do intáctil. Aquilo que vemos existe lá fora e aqui dentro, o olho é uma língua que lambe a superfície volátil das imagens e decifra seus sabores. Daí a arte: fenômeno em tudo humano - o ambíguo casamento da ciência com a alma - que nutre a coragem contra o eterno medo de não saber quem somos. O piso que sustenta as escolhas dos artifícios que criamos, dos lugares que procuramos, ou, o espelho que reflete nossos limites. Daí a pintura: linguagem suprema da visualidade, código palpável, argumento extremado da carne em forma de louvor, tão “real”, tão lídimo, quanto o canto de um pássaro.
Num quase contra-senso, e não poderia ser diferente, é na agonia dos limites que a obra de artistas como Andréia Santos ilumina o caminho por onde é possível ver o invisível, a eternidade da natureza, o vazio infinito que o todo e o nada contêm.
Sem qualquer pretensão, na humildade serva da matéria-prima, Andréia Santos pinta buscando dialogar com os deuses, flertando com a história da arte e da cultura, não a fim de trazer mais provas do transcendente para o mundo, nem de dar cabo à linguagem, cuja sorte é eternamente instável, mas simplesmente desejando encontrar um lugar onde a natureza fulgure a integridade da vida.
Caminhando dignamente pelo lado mais difícil, num país onde muitos artistas, reféns de uma desesperança, se prendem às superfícies e não submergem, Andréia Santos quebra o aço das espadas de muitos pretensos e até famosos pintores. Seus trabalhos não apenas são pinturas pela necessidade intrínseca da linguagem, mas vão além, são pinturas por serem arte.
Como que rasgadas de uma película que ligeiramente segue o gesto mas desobedece a direção, as formas estruturais da pintura de Andréia Santos rememoram por outro caminho a iconografia das histórias em quadrinhos. O gesto desenhadamente “aprisionado” quando dentro, e “enrolado” quando fora dos recortes, sugere a impermanência e expansão do abstrato. Um desenho que não é feito, mas que cai como um meteoro e se cola ao mundo, que germina de fato, como uma planta jovem que conta por onde irá crescer, simplesmente seguindo o impulso da luz do sol. Mesmo estando consciente do vasto vocabulário que a pintura já nos ofereceu, e aceitando a gnose industrial do nosso contexto como pauta, num imaginário pop hodierno e pulsante, Andréia não foge à responsabilidade do verdadeiro artista, aquele que produz cultura por natureza, sem romance, mas levemente, com espírito, não ignorando o biológico da vida, mas sim elogiando o caminho da formiga, o voo da borboleta, o rastro da lesma, a beleza incontestável das coisas simples. E se pendermos ao pragmático da forma - o que talvez nem caiba na análise de uma pesquisa visual como essa - não faltará em nada coerência, tudo é último e primeiro plano, o retrato e a paisagem ocupam o mesmo lugar, estruturando nossa memória pictórica. Os degradês evidenciam também que os lugares nunca são únicos, que o espaço é incomensurável sempre. O próprio gesto não é sempre desenhado pela mão, mas chove, faz rastro, é um misto de guias e batismos. Quando as formas se encerram num dos cantos do quadro, isso ocorre não para fixar a quadratura, mas para que nosso olho compare os limites onde a pintura pode parar ou não, pois noutros cantos as formas vazam, ou simplesmente são cortadas, criando o caráter dúbio mas íntegro de segmento e remate. A velocidade do mundo atual está refletida nas escolhas mediadas com equilíbrio entre o espírito e a razão de uma frieza quase involuntária. Os módulos retangulares de cor chapada não espantam o procedimento oposto do gesto, pelo contrário, definem e estabelecem para tudo o que há no quadro um lugar preciso, sem apoio em qualquer apelo compositivo. Uma pintura que não se compromete e ao mesmo tempo não foge de nenhum eventual compromisso, que é leve e robusta, onde arabescos definem a beleza das cores que se distanciam e ao mesmo tempo conjugam e compartilham de um mesmo sítio, e com isso novamente a arte nos lembra do viver da vida, de que a harmonia de qualquer ambiente ou assunto não depende exclusivamente da peculiaridade das relações sutís, mas sim da integridade natural e orgânica dos atritos e das fusões das versáteis divergências do mundo. Então, apenas como sugestão, devo lembrar o quanto - assim como todo grande trabalho de arte - a obra de Andréia Santos, além de tudo, é meritória e notável social e politicamente, ao situar-nos no hoje, num contexto universal onde as máculas estão às flores das peles de nós todos, seres divergentes mas tão iguais, tão da mesma raça.
Por essas e outras, esse magnífico e profundo estar sem saber onde, mas estar, coisa que pode gerar extensas e intensas conversas, de minha parte, como espectador, resta apenas agradecer e oferecer com reconhecimento pleno, os aplausos à Andréia Santos, pela coragem e generosidade de sua arte, coisa grande, de fato.
Tony Camargo Fevereiro de 2019



Map Boiler Galeria, Al. Pres. Taunay, 314., 80420-180 Curitiba, Brazil, Curitiba, Brazil
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